domingo, 30 de setembro de 2012

“ A vida só se compreende mediante um retorno ao passado, mas só se vive para diante.” Sören Kirkegaard




 As frases filosóficas são, regra geral, sobre questões a que, muitas vezes, nós não sabemos responder de forma clara e exata, podendo ser abordadas de diferentes pontos de vista. A partir da perspetiva que nos é apresentada por Sören Kirkegaard, a reflexão leva-me a questionar sobre o que é realmente a vida e qual é o seu propósito. No entanto, concordo com o filósofo, pois acredito que para compreendermos o propósito da vida há que olhar para trás e compreender o nosso passado, para que nos possamos aperfeiçoar no futuro.
 A meu ver, a vida é um longo percurso com apenas uma meta, um impedimento, digamos, a morte. Todos nós nascemos e morremos uma vez, mas isso não implica que o trajeto que percorremos seja tão linear quanto isso, bem pelo contrário. Surgem-nos inúmeras vezes, pela frente, obstáculos cuja função é fazer-nos ver que somos capazes de vencer e ultrapassarmos esses mesmos “contratempos” e, por isso, há que optar. São essas escolhas que, por vezes, nos fazem errar, e os erros cometidos no passado caracterizam-nos como pessoa, mas não definem o nosso caráter, isto é, apenas dizem o que somos capazes de fazer, não o que somos ou qual a nossa intenção, pois isso só nós é que somos capazes de mostrar, por atitudes e pela forma como remediamos os nossos erros e os ultrapassamos.
 Regressar ao passado, viajando nas nossas lembranças e memórias, faz-nos entender o porquê da vida, o porquê de nos melhorarmos a cada dia que passa; é que, em alguma altura anterior da nossa vida, já teremos passado por algo semelhante com o qual aprendemos, e aplicamo-lo quer ao presente quer ao futuro.
 Tomamos realmente consciência que amadurecemos quando nos rimos de algo que já nos fez chorar no passado, e é disso que é feita a nossa história.
 Portanto digo que a vida é como um rascunho que não tem tempo de ser passado a limpo e é quando retornamos ao passado que a compreendemos totalmente.

Concurso de escrita 2011/2012

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

banalidade

As palavras são algo indispensável nas nossas vidas, são usadas no nosso quotidiano a toda a hora do nosso dia, quer faladas como escritas como faço agora. No entanto há certas palavras que são literalmente usadas e abusadas que chegam ao ponto de perder o seu significado pleno. São ditas com facilidade, com pressa de perder algo que nunca irão ter, são ditas em vão...
Um "Amo-te", antigamente, era preservado como agora nos dias que correm, neste mundo cada vez mais materialista, é preservado o mais pesado diamante; valia milhões (de sorrisos), tinha brilho próprio e ainda era raro de encontrar... Mas agora? Oh...Agora é dito como que quem diz que tem sede, uma sede que se mata assim que é saciada, é escrito por tudo o quanto é lado, bancos, paredes, árvores ou até meras folhas de papel mas tudo isso para quê se nos dias de hoje o "amo-TE" é dito a 100 indíviduos diferentes e o "amo-te para sempre" não passa duma semana?
Os antigos valores foram-se perdendo, a importância que dávamos às palavras relacionadas com o amor foram-se banalizando e tornaram-se agora sem significado, assim como o verbo ser ou estar que não têm significado quando empregue sozinho.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

saudade, miss, manquer, verpassen, missen (...) ?

Recentemente aprendi uma coisa, no meio de tantas outras e tão desinteressantes, que a professora dizia. De repente, a minha atenção (que estava distraída nos meus pensamentos) foi então captada quando ela falou em saudade.
Sabias, meu querido amante que saudade é a única palavra neste mundo que não consegue ser traduzida em mais nenhuma língua? É uma capacidade única que nós portugueses possuímos dentro de nós, um misto de sentimentos, o maior batido de emoções que possas imaginar ou até mesmo sentir; tem de tudo um pouco e eu como portuguesa que sou, sinto essa saudade ardente e efervescente a todas as horas do meu dia.
"I miss you" não é tenho saudades tuas, mas sim sinto a tua falta, sentir saudades de alguém é muito mais que isso, é muito mais complexo, mas não implica ser totalmente negativo. É ter como que um enredo de melancolia e felicidade por estar a relembrar momentos passados e tristeza por sentir falta desses mesmos; e o facto é que parecia que estava exactamente a descrever aquilo que eu sentia naquele instante e que há tantos meses acompanha a minha rotina diária.
A verdade é que tenho saudades de estar feliz, de poder sair à rua a gritar a toda a gente um bom dia esboçado de um sorriso e de facto senti-lo de verdade, tenho saudades de me sentir bem e de te ter a meu lado por saber que eras a causa dessa minha alegria, mas tudo mudou. Seguiste e eu continuei no mesmo sítio onde me deixaste, totalmente estática à tua espera, agarrada aquilo que realmente não muda nem mesmo com o passar do tempo, o que ninguém por mais que queira, vai arrancar de mim, as memórias. Relembro-as todos os dias e é baseada nelas que eu não consigo entender o porquê de muita coisa e formulo muitas questões. Sempre te dei e fiz questão de deixar margem de manobra, para decidires o que querias fazer, mas no entanto, nada fizeste, deixaste-te acomodar como se já fosse um dado adquirido e não te impuseste. Podia ter sido tudo tão mais fácil, sem discussões, sem os ciumes, sem as pessoas pelo meio se tivesses posto esse teu forte orgulho de lado por um mínimo instantes e ver que o poderias fazer por mim. Podia ter sido tudo diferente, e quem sabe... Os tempos eram tão bons, eu conhecia-te tão bem como as linhas que traçam a palma da minha mão, bastava-me olhar para os teus olhos; agora, não te conheço mais, olho-te nos olhos e ele parecem que transmitem frieza e eu já não sei como agir...
Sabes duma coisa? Eu todos as noites ao tentar adormecer, também sinto saudades, apenas não sei bem do quê, não sei bem de quem...

sábado, 24 de setembro de 2011

Insónias, estúpidas insónias que me atormentam desde que me lembro amar. Desapareçam de mim, da minha cabeça, da minha vida, das minhas noites ! Cada vez mais tenho mais dificuldade em adormecer, dou voltas e mais voltas e não consigo perceber o porquê e quando finalmente pareço consegui estabilizar, há algo que me faz delirar. Sim delirar disse bem, um perfeito delírio para se poder designar de um mero sonho, começo a ligar demasiado ao que os outros dizem e faço a nossa história ao meu jeito, continuo-a como eu sempre a imaginei e dou por mim a delirar, sei que isso nunca irá acontecer. (acho)
Deste o braço a torcer e pediste desculpa, engoliste o teu orgulho e tentaste recuperar-me, mas sabes que nada é facil na vida e eu muito menos o sou.
Combinamos encontramo-nos para falar, por muito insistência da tua parte e eu prometi -me a mim mesma pelo menos dar-te o direito para te desculpares de todas as coisas imperdoáveis que me fizeste e o tempo necessário que isso poderia implicar; mas tudo isso para quê, qual o resultado de tanta fala? Também não sei. Já me tinham dito também coisas boas sobre ti, muito boas até, enganaste se pensas que só falam mal de ti quando referem o teu nome. Disseram-me que desde então tens crescido, uma mentalidade mais madura e capaz de construir uma bonita história com cabeça, tronco e membros; que eras capaz de assentar por uns tempos e que era realmente isso que querias fazer. E agora digo, como me podem dizer que não posso amar-te de maneira alguma se os defeitos que tinhas se tornam cada vez mais em qualidades? Se me é tão mais difícil não gostar de ti.
Onde é que eu fico no meio de toda esta história pergunto eu ! O que é que querias de mim concretamente?
Foi aí então que achei que estava mais do que na altura certa de exigir pela primeira vez algo de ti e perguntei-te. Sabes que mais? Não devia; surpreendi-me com a tua resposta, respondeste-me tudo.
Tudo- é uma palavra tão vasta que significa tanta coisa mas ao mesmo tempo deixa-nos à toa.
E foi assim que eu fiquei, disseste-me tudo e eu finalmente percebi o sentido dele; querias os meus ciúmes, a minha confiança, as minhas oscilações de humor, a minha amizade, os meus filmes, o meu amor... tudo o que te completaria para ser feliz.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

I'm not always strong but we've must go on !

Lembro-me de estar a chover torrrencialmente gotas tao grandes e tao pesadas que carregavam consigo um sentimento tao melancolico, algo de novo para anuciar, eram gotas parecidas a um choro num terrivel pranto. Estava a fazer tanto vento nesse dia que esse mesmo vento fazia fechar portas com grandes estrondos e talvez a tua porta na minha vida, fazia estilhaçar vidros no chao tao bruscamente e com tanta força como quem parte coraçoes (em pequeninos pedaços, dificeis de remontar).
Desci as escadas do meu predio a correr, como se estivesse algo ou ate mesmo alguem a minha espera, no bolso do meu casaco trazia apenas as chaves de casa, na minha mao a corrente que mantinha presa a mim a mais fiel das companhias, a minha eterna confidente, a minha cadela e na minha cabeça so ele tratava de se ocupar de todos os meus pensamentos. Abri a porta confiante de ver algo 'sobrenatural' mas em vez de ver, senti.
Sim senti, sempre ouvi dizer que o essencial e invisivel aos olhos. Ja alguma vez louvaram a Deus por poder sentir aquele cheiro caracteristico de terra molhada, sentir a chuva a tocar-nos directamente na pele, na cara, como se fosse uma meiga festa de reconforto maternal ou ate mesmo caminhar descalça(o) no chao, que toda a gente ignora, o chao onde muitos cospem? Deem-se por satisfeitos, completos ate, por poderem ter nascido com essa caracteristica, com esse dom, o das sensaçoes. E como se nao bastasse serem dotados dele, ainda podem ver tudo diante dos vossos olhos, mesmo que nao seja preciso.
Basicamente foi isso que me aconteceu, senti alguem a tapar-me os olhos e a levar-me para um alpendre onde nos resguardamos da chuva. Ja tinhas dito anteriormente que te importavas muito com o meu bem estar e que ficar alguns dias sem me ver iria ser como uma possivel 'doença' para ti, que decidiste jogar pelo seguro e ficarmos aconchegados. Eu estava a tremer, a bater os dentes e literalmente com os labios arroxeados e toda eu com pele de galinha que foi entao que me mostraste uma das tuas facetas mais encantadoras e tiraste a camisola, a unica camisola que tinhas sob o tronco. Vestiste-ma, deste-me as maos para que aquecessem e voltassem a sua cor natural e disseste-me algo que nunca me irei esquecer: 'Estou aqui, a chuva, assim, voltei para tras, sai de casa para estar contigo. Nunca mais voltes a dizer dessa tua boca que nao gosto de ti.'
Perante isso apenas baixei a cabeça, fiquei sem qualquer tipo de resposta, larguei as tuas maos e joguei-as a cabeça, confudiste-me, alias como conseguias fazer sempre que tocavamos nalgum assunto mais delicado para mim.
Pedi-te entao para te ires embora de forma delicada, deixando combinado um novo encontro para o dia seguinte e assim ficou.
No dia que se sucedeu, depois das aulas, fechamo-nos dentro destas quatro paredes, neste exacto lugar onde me encontro aqui e agora a escrever (ou simplesmente a limitar-me a recordar) e nele ja faziamos planos futuros, juras e promessas, confidencias e partilhavamos inseguranças. Deitados um ao lado do outro a perguntar como seria dali para a frente, de como iria ser nas ferias de verao em que mal nos iriamos ver, diziamos ate que nao iamos aguentar estar separados tanto tempo, tao longe... Mas agora pergunto-me. Para que tanta preocupaçao, porque e que nos preocupamos tanto?
Olha tao fortes que somos, nao so aguentamos estar longe um do outro como nem sequer falamos, dito assim ate parece coisa pouca e para ti ate deve de ter sido tao facil quanto isso, mas muito honestamente, os meus mais sinceros parabens, conseguiste ser esperto o suficiente para nao te apaixonares e nao sofreres. Parabens pela tua inteligencia.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

15 # Carta para a pessoa da qual tens mais saudades

Sao quatro da manha ja largamente ultrapassadas, quase quase a bater nas cinco, esta um calor altamente infernal, eu ja deitada, bem que tento adormecer mas o mesmo se sucede vezes e vezes sem conta, dou voltas e mais voltas na cama e ainda assim nao consigo pegar no sono. Pronto. Esta claramente comprovado, esta e a minha primeira insonia de verao.
Nao consigo descançar a minha cabeça, a minha mente e muito menos o meu corpo, nao me consigo abstrair o suficiente para adormecer, nao tenho forças para me manter de pe, a voz começa a ficar mais escassa e rouca e nao me consigo controlar, controlar as minhas proprias saudades, algo no qual sempre fui perita em fazer por ter que lidar com ela desde tao tenra idade...
Para atenuar este sentimento que para mim mesma significa que algo que ja esteve tao perto nos faz falta, todas as noites, relembro a nossa historia de amor ao deitar, assim como os pais contam historias tradicionais aos filhos antes de dormir, daquelas que passam de geraçao em geraçao com o passar dos tempos, mas que nunca se esquecem e eu nao a esqueci. Todas as noites escolho a nossa historia, nao por ser a mais bonita (pois para isso teria que ter um final feliz, e isso implicaria o fim de algo), mas sim por ser a mais envolvente e fiel a vida real e vou retartar-vos essa mesma historia.
Nela, dois casmurros incuraveis que nao sabem viver longe um do outro, sao-no de tal maneira que nao teem a coragem de admitir isso que todos os olhos veem e que todas as bocas falam, dizendo que esta a vista de todos. E inacreditavel a força e determinaçao dela mas a capacidade que ele tem que, com simples (ou nao tanto quanto isso) gestos, confundi-la, faz com que sempre que se tentem expressar comecem a discutir mesmo contra a sua vontade.
Ele suplica que se encontrem para resolver as coisas, e para que tudo isso acabe, mas ela do outro lado a chorar num terrivel pranto, fa-lo pensar que nao se importa, qua nao se debruça sobre a sua relaçao e que nao gasta tempo a pensar neles e muito menos nele em questao. Ela fica estupefacta de como lhe e tao facil acreditar em todas aquelas 'mentiras', e-lhe tao simples creer que ela ja nao quer mais saber dele que ja o esquecera ou que queira faze-lo o mais rapido possivel, que e preferivel que assim seja, que ele nao saiba como ela anda, onde esta ou com quem fala.
Ele sim parece nao se importar, age como se nada fosse, como se nada se tivesse passado, como se nao se importasse com a situaçao que estao a viver, como que ela nao existisse ate a sua chegada, mas ele nao descansa com a sua ausencia, pergunta por ela e faz com que nada lhe chegue aos ouvidos mas ela sabe sempre de tudo, talvez desta vez nao tenha sido tao discreto como o habitual, talvez tenha sido uma vez diferente, mas os talvez nao me servem de alimento ao contrario das certezas. Por algum motivo me prendes de certa forma a ti, sem me deixar completamente, diz-me um porque, responde-me se fores capaz, se essa tua 'coragem' nao te faltar, mais uma vez.
Tento nao pensar sobre a situaçao na qual estou metida, olho para todos os lados e em todas as direcçoes em busca de respostas concretas, aquelas que nao me consegues dar, tento encontrar o rumo da minha vida, mas sozinha.
Sao agora seis e meia da manha, o sol ja nasceu e por entre as portadas da janela do meu quarto, entram os primeiros raios de sol do dia, ja gente se levantou da cama para trabalhar e eu, lho para o telemovel, mais uma vez, na esperança de ver um sinal teu e nada, mais uma vez.
"A saudade aperta, e não dá para ignorar é como uma frida que não pára de sangrar". Eu vou ter saudades tuas, mas tu nao vais saber.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

1 # Carta para a tua melhor amiga /melhor amigo



Sentir uma afinidade destas por alguem e tao raro de encontrar, sinto que posso caminhar com os pes mais altos da superficie da terra que por muito alto que suba tu nao me vais deixar cair como toda a gente o fez, que vais la estar independentemente do que eu diga ou faça, com que eu me de ou deixe de dar, que vais estar la para mim, como se tivesses algum laço familiar comigo que me impedisse de fazer tonterias.
Nao sabia que me poderia sentir assim novamente, que a minha felicidade se recomposesse apenas com a tua chegada e muito menos que esta prenchesse uma perda, uma dolorosa, longa e triste perda, quer da pessoa quer da confiança, amizade e protecçao que nela depositava, iludi-me e cai.
Bati fundo e certo.
Mas talvez precisasse disso, de bater fundo, cair, sofrer e melhorar as minhas fragilidades, erguer-me, fortalecer-me, reabastecer-me de forças e ganhar.
E se tudo isto foi possivel ate a data de hoje, devo unica e exclusivamente a uma pessoa, ao meu melhor amigo, a quem nunca me abandonou, a pessoa cuja qual nao desistiu de mim a primeira.
Prencheste a minha vida de uma tal (e unica) maneira que nunca senti necessidade de te chamar de melhor amigo, talvez porque sabia que eras o melhor amigo que eu tinha, o que dava valor aos meus problemas, que buscava as respostas das minhas interrogaçoes gritantes (nao por mim mas comigo, a meu lado), que percebia as minhas situaçoes, as minhas atitudes e que afinal das contas acabava mesmo por pensar da mesma maneira que eu pois es tal e qual a mim.
Tenho um feitio tao caracteristico que ja por si so e dificil de encontrar, quanto mais dar-me com alguem que e assim tambem, nao existem duas pessoas iguais.
Escrever sobre ti e para ti nunca foi facil, uma tarefa quase tao ardua quanto descrever a nossa amizade que para muitos parece ser tao complexa.
Mas nao e digo-vos.
O segredo talvez esteja na simplicidade, e isso que nos mantem tao ligados, tao unidos, tao coesos.
Nao preciso de estar 24 horas sob 24 horas a falar contigo para seber como estas, penso que se nao me disseste nada foi porque o assim quiseste e entendeste ser o melhor para ti e eu respeito isso.
Eu nao preciso de saber isso porque sinto-o.
E tu, sentes que es o melhor ?